Burnout sob o olhar da Gestalt-terapia: ajustamentos criativos e reconexão com o Self
- Comunidade Gestáltica
- 10 de set. de 2025
- 2 min de leitura
O burnout é um fenômeno complexo e cada vez mais presente no contexto contemporâneo. Compreendido como uma síndrome de esgotamento físico, mental e emocional, ele está diretamente relacionado ao excesso de demandas, à ausência de sentido no fazer cotidiano e à falta de conexão consigo mesmo.
Sob o olhar da Gestalt-terapia, o burnout não é apenas uma somatória de sintomas. Ele é uma expressão do rompimento do fluxo saudável de contato entre o indivíduo e seu ambiente. Nesse contexto, o sujeito se afasta de suas necessidades reais, negligencia seus limites e adota padrões automáticos de funcionamento, muitas vezes em nome de uma produtividade desumanizante.
⚪ Visão holística e atenção ao aqui-agora
A Gestalt-terapia considera o ser humano como um Todo — corpo, mente, emoções, relações. Por isso, o processo terapêutico busca ampliar a percepção, permitindo que o indivíduo reconheça sinais de exaustão antes que eles se tornem crônicos. A atenção ao aqui-agora favorece o contato com sensações físicas (como dores, tensões e fadiga), que são muitas vezes ignoradas.
🌀 Auto-regulação organísmica e ajustamentos criativos
Ao apoiar o cliente a identificar suas reais necessidades e promover formas mais saudáveis de se relacionar com o trabalho e com a vida, a Gestalt-terapia estimula a auto-regulação organísmica — ou seja, a capacidade inata do organismo de buscar equilíbrio.
Nesse processo, ajustamentos criativos disfuncionais dão lugar a ajustamentos criativos funcionais: nascem novos modos de lidar com exigências externas, respeitando os próprios limites.
🔄 Responsabilidade, autonomia e ressignificação
Ao trabalhar a autorresponsabilidade, a Gestalt-terapia convida o indivíduo a conhecer seu modo de funcionamento, muitas vezes repetitivo e disfuncional, que colabora para o estado de burnout. O processo terapêutico não visa a culpabilização, mas sim o empoderamento e ampliação de escolhas.
Também é comum que o burnout esteja relacionado a sentimentos como frustração, apatia, sensação de inutilidade ou desconexão. A terapia propõe a ressignificação dessas experiências, abrindo espaço para a construção de um novo sentido para o fazer.
🌱 Caminhos possíveis
O trabalho terapêutico com burnout, dentro da abordagem gestáltica, pode trazer benefícios como:
Redução do esgotamento emocional
Resgate da autoestima e da autoconfiança
Desenvolvimento de estratégias de enfrentamento mais saudáveis
Reconstrução do contato genuíno com o próprio corpo, emoções e desejos
Promoção de bem-estar no trabalho e nas relações interpessoais
Em tempos onde o fazer se sobrepõe ao ser, a Gestalt-terapia oferece um convite potente: pare, sinta, reconheça. E, a partir daí, escolha novos caminhos que respeitem sua existência.
🖊️ Texto por Comunidade Gestáltica da Bahia




Comentários